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As Mulheres do Sistema – Women of the System

Photos and article: Alessandro Filizzola
English translation: Catherine Spreadbury

Das margens do Rio Amazonas no norte do Brasil vem o exemplo de como a humanização do sistema carcerário aliado ao empreendedorismo podem ser poderosos aliados na redução da violência e da criminalidade. Em junho de 2018 tive a oportunidade visitar o Presídio Feminino do Estado do Pará e de conhecer de perto e documentar o premiado trabalho realizado por eles. Trabalho este que hoje é modelo para todo o sistema carcerário do Brasil e vem sendo foco de reportagens não só no Brasil como no mundo. A idea era fotografar o dia dia destas mulheres, tanto das detentas, quanto das funcionárias, mas lá encontrei muito mais do que poderia esperar.

From the banks of the Amazon river in northern Brazil comes an example of how the humanization of the prison system and entrepreneurship can be powerful allies in the reduction of violence and criminality. In June 2018, I had the opportunity to visit the Pará female state prison and to get up close and document the prize-winning work carried out there. This work today serves as a model for the entire prison system in Brazil and has been reported on not only in Brazil but in the rest of the world too. The idea was to photograph the day to day life of these women, both inmates and the staff, but I found much more there than I could have hoped for.

View of the patio between the cells in one of the courtyards.

Bandido bom é bandido morto. Provavelmente você já ouviu esta frase dita por alguém em tom de solução definitiva para a criminalidade. A redução do problema à desumanização do infrator pela negação do seu direito à vida e, por consequência, do direito ao perdão, à dignidade e à qualquer forma de recuperação. Mas, e se o bandido em questão for um ente querido? Não que alguém próximo possa se reduzir a tanto. 

To many Brazilians, the phrase “the only good criminal is a dead criminal” is a commonly heard saying. Many people have heard this phrase used as if it were a definitive solution for criminality. The reduction of the problem by dehumanizing perpetrators in order to deny their right to life and consequently, the loss of their right to forgiveness, to dignity and to any form of rehabilitation. However, what if the criminal in question were a loved one? Not that anyone that close to you would reduce themselves to this little.

Afinal, isso só acontece com os outros, não é mesmo? Mas aí, neste distante exemplo, talvez você queira então modificar o final da frase mais ou menos assim: bandido bom é bandido morto… desde que ele não seja o seu filho, ou a sua mãe, ou alguém que você ame. Aí talvez você acredite que a recuperação seja possível. E que a recuperação – que não se confunda com impunidade – deva ser promovida durante o encarceramento, para que, ao final da pena, uma pessoa com novas perspectivas, e que tenha pagado por seus crimes, seja então aceita e recebida mais uma vez no seio na sociedade. Com este pensamento, a Dr. Carmen Gomes, diretora do presídio, criou a Coostafe – Cooperativa Social de Trabalho Arte Feminina Empreendedora é a primeira cooperativa de mulheres encarceradas do Brasil.

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