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Eu Fashion

Introdução à fotografia de moda: Moda, identidade e o espetáculo das passarelas. Resenhas e aventuras de AleFilizzola pelo mundo da Fotografia de Moda em Londres.

ilustração: Joel-Peter Witkin’s Sanatorium influence on Alexander MacQueen’s work, by AleFilizzola

Fotografia é um constante aprendizado que vai muito além da simples clique. Depois de quase uma década transitando entre a fotografia documental e de retrato, decidi retornar às minhas raízes no design e mais uma vez me entregar à fotografia comercial. Dessa vez o foco é fashion! E o que você tem a ver com isso? Bem, se você gosta de fotografia ou de moda, acredito vai gostar de acompanhar aqui o que vou compartilhar aqui nestes artigos e resenhas sobre as minhas experiências ao longo do meu caminho de pesquisa e aperfeiçoamento sobre a fotografia de moda.

Nessa jornada pelo conhecimento, a operação da camera se torna um mero detalhe frente ao pensamento acadêmico e os conceitos por trás das coleções e desfiles nas passarelas. Frente ao desafio posto, nada melhor que recorrer à literatura, começando pelos excelentes livros: Adorned in Dreams, de Elizabeth Wilson; e Fashion as Photograph, de Eugénia Shinkle.

Moda é algo nada fácil de definir. Talvez a única certeza seja a característica mutante da busca pela expressão da identidade que se renova e mantém esta indústria sempre aquecida.

O que vestimos vai muito além da função utilitária de agasalhar e proteger o corpo. A roupa, tal qual uma extensão da pele, informa à sociedade sobre os nossos valores, como nos sentimos e, de certa forma, quem somos. A moda que vestimos, paradoxalmente produzida em massa, está diretamente relacionada à percepção da identidade individual. E, como a natureza humana, está sempre em transformação.

É curioso observar como essa expressão da identidade e do papel social podem ser fortes. Um exemplo disso está na influência feminista e toda a revolução da mulher no mercado de trabalho claramente sinalizado pela urgência da reinvenção da vestimenta feminina. Calças em vez de vestidos, fechos e adereços militares ao invés de fitas e bordados como uma forma de rompimento da feminidade servil do tempo das nossas avós. Se é assim, mais fascinante é observar a adoção – quase que obrigatória como uma expressão de sucesso e poder – do paletó ou terno ao redor do mundo pelos homens de negócios e figuras pública. Mesmo em culturas regionais e os chamados países de terceiro mundo, onde as vestimentas tradicionais possam ser tão diferentes do padrão europeu e ocidental. No entanto, não raro, as esposas destas mesmas figuras de poder continuam a apresentar-se nas suas vestimentas tradicionais de suas culturas originarias. Na identidade expressa dessa dicotomia, tanto se percebem a preservação das tradições pelas mulheres, quanto o abismo que separa a igualdade de gênero, onde os valores associados ao desenvolvimento e à prosperidade econômica não alcançam sexo feminino nestes países em crescimento. (Elizabeth Wilson, Adorned in Dreams. p 1-15)

Em meio a toda essa egotrip, a fotografia entra como a grande comunicadora entre as massas. As imagens da nova moda amplamente alardeada nos desfiles, revistas e demais mídias, informa ao mundo os novos padrões de identidade da nova era. Não é de se surpreender que os desfiles se adaptaram ao espetáculo. Cada estilista ávido pelo maior número de cliques, seu nome em destaque nas notícias e suas criações comentadas nas manchetes e em cada editorial. E, novamente, o vestuário se desapega da função utilitária do dia a dia e dá lugar ao conceito, ao entretenimento e à identidade evidenciada ao mercado. O que será efetivamente vendido ao público, vem depois, nas lojas, como um produto secundário, que terá maior ou menor êxito conforme o sucesso da venda das marcas, como símbolo, conceito e identidade que se renegam e reinventam a cada nova estação. (Eugénie Shinkle, Fashion as Photograph. 2008, p 1-28)

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