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The flying bird who had no legs

A Tupiniquin-Sino-Saxon pinhole tale

That’s the story of a lady bird who didn’t have legs. Because of that she had to fly during her whole life. It was foreseen that the day that she stoped flying would be the day of her death. She would lose her fathers, her wings, grow legs and die.

This is the visual pinhole tale of that moment when she stoped flying. It is not a particularly sad moment, although, it is a bit melancholic as she goes back in her memories, lost in retrospective thoughts of her life. A dihcotomic daydream where she can watch herself detached of her body. It is a lonely experience for her as only she can be the subject of her own life. 

Textures and windows against a bright sky where she will no longer stretch her wings. An enclosed bird losing her wings while landing in a transitional wheelchair which carries her from the life she has had so far to meet her fait. Deep inside she is at peace and even happy as she had been flying from a long distance and an even longer time.

She wants to scream a wild yowl in convulsive spasms. However, instead, she can only contemplate and wait for the inevitable legs to grow.

About the pinhole camera

It is a very rudimentar handcrafted camera. Basically is consist in a light sealed chamber, like a box or a can, with a thiny pinhole which works as a the aperture. There is no lens in this camera. Then, you might use film or photographic paper in opposite to it inside of the camera. This paper or film will then register the image that is formed by the light rays passing through the pinhole and being projected on it. The exposure is manually controlled by opening and closing the hole with the help of a black gaffa tape.

To find out for how long your film or paper should be exposed, you start making tests and manually developing the images in the darkroom, one by one, to see if you are under or over exposing the pictures.

Below you will find the step by step of the making of the pinhole constructed for this exercise. Its average exposure time, considering a bright sun light hitting directly on the subject , was around 30″ to 40″.

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In the dark room

It wasn’t my first time in the darkroom. When I was studying Graphic Design, I had this class as part of my photography programme during the graduation. At that time, it was a curiosity, but I never felt like doing it my self. It was more convenient to source professional labs to have your pictures developed. Yes, I’ve seen the world before the internet! – and analogue film cameras were the standard back then. 

Developing my own film seemed to me as a luxury, and an amount of time and money that I couldn’t afford it. Then, the first digital cameras came. They were quite rubbish at the beginning, at least the affordable ones. It took some time before I had my first digital camera. However, since then, I never felt like coming back to the old film. I’ve got immediately engaged with the digital photography world. It was amazing to see the images while you were shooting and so practical to just download them straightway to the computer. And guess what: your memory card was the limit! You could take as many shots as you would like to without worrying about the restricted number of exposures on the film. This, to say the least. Post processing images in photoshop was almost like magic. A whole universe of different papers and layouts were unveiled ahead.

Many years have passed and I witnessed the raise of lomography dragging with it a horde of excited enthusiasts looking forward to emulating Instagram filters with film. I have been aways a bit sceptical about what has driven those people to get into really expensive plastic cameras. If these people were craving for the film resolution possibilities, the dynamic range,  or for pure interest about the analogue process, that would’ve made more sense to go after the top ranked second hand film cameras. Second hand top 35mm cameras – and even the larger formats – are still relatively easy to find and chip to buy. I wonder when the next wave will revival the typewriters and turn them into a vintage fever… 

Suddenly, I’ve got myself developing film once more, just few days ago, during the second week of my MA Course… and I enjoyed it so much! It was a mixed feeling of nostalgia and handcrafting, an artistic feeling, really. That’s when, immerse in chemicals and groping in the dark, I caught my self feeling guilty. After all, I was studying for a master’s course and I wasn’t supposed to enjoy it so much. I should be suffering in pain and despair, snowed under books and intangible contents to study – my father would say. 

It is curious how certain activities can bring up to the surface old memories and a bit of self knowledge. I’ve been into creativity activities since ever and working professionally with it since I first entered to the university, when I as 17. Even though, this old ghosts from my upbringing are still there, lurking somewhere in the dark.

Thant might had been a silly thought, but it shocked me raising my attention. This darkroom experience somehow messed up with my head. Now, something is different. Since then, I have been feeling this urge to draw and doodle again… 

After undergoing the darkroom egotrip experience I could reassure that the reasons why I got so into digital photography are still valid and I am not persuaded to move back to film, but I have to admit that it could be a great fun to play around with film now and then.

A história da Moda

Resenhas e aventuras de Ale Filizzola (@alefilizzola) pelo mundo do Fotografia de Moda em Londres.

Voltando no tempo, bem lá atrás, na época dos gregos e romanos, a moda era meio que uma só pra todo o mundo dito civilizado. Com boa parte do corpo em evidência como uma coisa normal, vestimentas drapeadas e sem corte eram a base de uma moda que seguiu praticamente inalterada por séculos. As mudanças de estilo aconteciam geralmente nos adereços, como jóias, penteados, perucas e maquiagem. O oposto disso, roupas com corte e costura, ainda que rústicas, eram características do mundo bárbaro. E isso nem se cogitava “desfilar” pelas ruas de Roma.

Mas as vestimentas cortadas e costuradas para melhor se adaptarem ao corpo acabaram se provando mais quentes e práticas, sobretudo pra os climas mais frios dos territórios do norte. E, quem diria, as invasões bárbaras e a queda de Roma, começaram, não pela guerra, mas pela moda. Esta nova moda acabou se estabelecendo de vez a partir da ascensão do Cristianismo. Nessa nova religião que agora regia o estado, o corpo nu, ou ainda que semi-exposto, passou a ser visto como motivo de vergonha, pecado e pudor. E nada mais adequado a estes novos valores do que assimilar a moda bárbara, que tão bem atendia à nova ordem de recato.

O tempo foi passando e, durante a idade média, pouco se variava entre o que vestia o senhor de terras e o camponês. Mesmo a distinção de gênero na moda para homes e mulheres era muito discreta. A diferença de classes se mostrava mais evidente na qualidade dos materiais e tecidos utilizados conforme o status e de acordo com o alcance de cada um.

Só por volta do século 14 o florescer do comércio entre povos e nações aqueceu a economia e fez surgir uma nova classe burguesa. E esta foi a principal responsável por difundir os novos conceitos de moda, trazidos de outras terras e reinos, juntamente com os novos tecidos, como a seda, que eram amplamente desejados e comerciados. 

Livros com conceitos e ilustrações de moda se tornaram populares pelas cortes e altas classes já no século 16. E, sem dúvida, a recém inventada nova tecnologia da prensa de Guttemberg contribuiu para a velocidade de disseminação de tendência e estilos, que mudavam cada vez mais rapidamente. Embora o rapidamente daquela época possa parecer uma eternidade, se comparada a imediatez e efemeridade da moda veiculada pela mídia de hoje.

Mais algum tempo passou e a moda então era os ricos se desfazerem do que já não era mais moda. E os beneficiários deste descarte de roupas em perfeito estado eram os seus empregados mais próximos, que deveriam sempre estar bem vestidos e a altura de servir aos seus senhores, como evidência de prosperidade dos donos daquela casa. Então, todo um mercado de roupas de segunda mão surgiu daí. E alta moda passou a ser copiada e adaptada (as vezes de forma caricata) pelas classes menos favorecidas, e com algum atraso em relação à mais nova moda, é claro.

E veio a Revolução Industrial produzindo, entre outros materials, tecidos em larga escala que, por sua vez, precisavam de grandes mercados consumidores, como os criados pelo surgimento e expansão dos grandes centros urbanos. Com a migração do campo para a cidade a proliferação de novas profissões e classes sociais, distinção já não era tão simples como a entre ricos e pobres, homens e mulheres. A moda agora precisava discernir entre os diferentes ofícios e arranjos que surgiram nas cidades.

E moda teve que acelerar ainda mais o seu ritmo para acompanhar a modernidade. Como as diferenças e a demanda extrapolaram a classe e status das pessoas, se estabeleceram estilos que melhor expressavam a individualidade. E a moda passou a também refletir mudanças de humor, estado de espírito e até mesmo períodos do dia. O guarda roupas cresceu para acomodar a variedade da moda que se diversificava em roupas esportivas, para viagens, comemorações e ocasiões especias, luto, jantares e afins. O estilo em vestir agora podia até mesmo ser caracterizado pelo simplesmente pela expressão do gosto e personalidade de cada um.

Na contra mão de tanta efervescência fashion, foi inventado o uniforme. Expressão da conformidade, burocracia e símbolo do avanço do estado sobre a vida do indivíduo.

Primeiramente adotado pelas altas patentes militares, já no início do século 18, a marinha Britânica já apresentava o uniforme para seus oficiais, enquanto as baixas patentes só passaram a usá-lo cerca de um século depois. Mesmo parecendo a antítese da moda por suprimir a personalidade, ao invés de exaltá-la, o uniforme paradoxalmente foi utilizado como um atrativo fashion para recrutar cadetes nas guerras que se seguiram, como símbolo da virilidade e glamour do soldado. E o mesmo princípio também foi usado para o sexo oposto, como no caso do uniforme cuidadosamente talhado para exaltar a vaidade feminina nas mulheres que se alistavam na marinha Americana durante a Segunda Guerra Mundial. E ainda curioso de se notar como, no mundo moderno, o uniforme também se transformou em um frequente alvo de fetiches e fantasias sexuais.

Ainda assim, até por volta do final do século 18, a moda não mudava muito de ano para ano. Até então, os últimos lançamentos e estilos circulavam em cópias em miniaturas, quase como que roupas de bonecas, dos vestidos e roupas feitos para rainhas e reis. Estas miniaturas era feitas e alardeadas pelos estilistas das realezas de então, como as produzidas por Rose Bertin, costureira e conselheira de estilo de Maria Antonieta, considerada como uma das primeiras designers de moda. Este artifício foi em seguida superado pela produção de imagens em placas de metal gravado na nova tecnologia das publicações. E esta, por sua vez, se tornou obsoleta a partir da invenção da fotografia e o avanço das mídias de massa.

Perto do início do século 19, costureiros da alta moda já faziam fama e se esforçavam por serem reconhecidos como artistas. Fashion designers se tornavam figuras de conhecimento público e criavam fortunas com suas produções exclusivas, tanto para a realeza quanto para a aristocracia. “Só o costureiro poderia se tornar um homen acima [da moda e] das distinções e disputas de classe; ele podia, por que ele era um Artista e, consequentemente, era inspirado a criar a moda, que pintores, e depois fotógrafos, depois transformaram em símbolos e a assinatura de uma época”. (Elizabeth Wilson, 2003. p.32)

No entanto, as mulheres que usam estas criações, que poderiam chocar e até mesmo indignar a sociedade, eram as atrizes e amantes, ao invés das respeitáveis damas de família. Estas mulheres mundanas, piriguetes de meados do século 19 Parisiense, não tinham nome, nem família, nem classe. Elas vinham não se sabe de onde e o seu sucesso dependia unicamente da sua personalidade e estilo. Elas eram as únicas, portanto, que poderiam se atrever a usar os estilos mais escandalosos e criar sensação. E, sem dúvida, esse era o seu objetivo: promover a elas mesmas. Finalmente, uma vez estabelecida a suntuosidade dos seus vestidos, isso também ostentava a riqueza e prosperidade dos homens que as patrocinavam. Nesse mundo voraz, beleza tornou-se um passaporte para a ascensão social. Logo, tornou-se de suma importância ostentar como se tivesse o que não tem, pois este passou a ser o melhor caminho de se conseguir depois, aquilo que se finge ter. A aparência substituiu a realidade. (Elizabeth Wilson, 2003. p.33)

Em meio a produção de roupas em massa a partir de 1910, a grande revolução da moda veio do rompimento com os velhos corselets e laços de fita, em detrimento de um estilo mais esportivo, casual e prático para as mulheres, mesmo que quase com um século de atraso em relação a quando o mesmo aconteceu com as roupas masculinas. E a designer que talvez melhor tenha catalisado esta mudança tenha sido Chanel, com um ideal estético que protagonizou o grande paradigma do século 20. O minimalismo de um estilo que subverte em si toda a idéia de moda como ostentação, e entretanto, feito dos mais finos materiais e adornado em jóias. Um novo look ágil, moderno e, de certa forma futurista, supostamente tão feminino, mas que trazia consigo algo de estranhamente masculino em si.

Resenha escrita a partir do estudo do trabalho de Elizabeth Wilson, Adorned in Dreams. 2003: The history of Fashion.

Ilustrações feitas por AleFilizzola e inspiradas em: 

  1. Fotografia de Coco Chanel e Serge, 1920,
  2. Ilustração: Changing with the times, What a welcome change it was when the ugly clothing of the previous decade was replaced by the new creation of the current times! Elizabeth Wilson, 2003. p 07.

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Eu Fashion

Introdução à fotografia de moda: Moda, identidade e o espetáculo das passarelas. Resenhas e aventuras de AleFilizzola pelo mundo da Fotografia de Moda em Londres.

ilustração: Joel-Peter Witkin’s Sanatorium influence on Alexander MacQueen’s work, by AleFilizzola

Fotografia é um constante aprendizado que vai muito além da simples clique. Depois de quase uma década transitando entre a fotografia documental e de retrato, decidi retornar às minhas raízes no design e mais uma vez me entregar à fotografia comercial. Dessa vez o foco é fashion! E o que você tem a ver com isso? Bem, se você gosta de fotografia ou de moda, acredito vai gostar de acompanhar aqui o que vou compartilhar aqui nestes artigos e resenhas sobre as minhas experiências ao longo do meu caminho de pesquisa e aperfeiçoamento sobre a fotografia de moda.

Nessa jornada pelo conhecimento, a operação da camera se torna um mero detalhe frente ao pensamento acadêmico e os conceitos por trás das coleções e desfiles nas passarelas. Frente ao desafio posto, nada melhor que recorrer à literatura, começando pelos excelentes livros: Adorned in Dreams, de Elizabeth Wilson; e Fashion as Photograph, de Eugénia Shinkle.

Moda é algo nada fácil de definir. Talvez a única certeza seja a característica mutante da busca pela expressão da identidade que se renova e mantém esta indústria sempre aquecida.

O que vestimos vai muito além da função utilitária de agasalhar e proteger o corpo. A roupa, tal qual uma extensão da pele, informa à sociedade sobre os nossos valores, como nos sentimos e, de certa forma, quem somos. A moda que vestimos, paradoxalmente produzida em massa, está diretamente relacionada à percepção da identidade individual. E, como a natureza humana, está sempre em transformação.

É curioso observar como essa expressão da identidade e do papel social podem ser fortes. Um exemplo disso está na influência feminista e toda a revolução da mulher no mercado de trabalho claramente sinalizado pela urgência da reinvenção da vestimenta feminina. Calças em vez de vestidos, fechos e adereços militares ao invés de fitas e bordados como uma forma de rompimento da feminidade servil do tempo das nossas avós. Se é assim, mais fascinante é observar a adoção – quase que obrigatória como uma expressão de sucesso e poder – do paletó ou terno ao redor do mundo pelos homens de negócios e figuras pública. Mesmo em culturas regionais e os chamados países de terceiro mundo, onde as vestimentas tradicionais possam ser tão diferentes do padrão europeu e ocidental. No entanto, não raro, as esposas destas mesmas figuras de poder continuam a apresentar-se nas suas vestimentas tradicionais de suas culturas originarias. Na identidade expressa dessa dicotomia, tanto se percebem a preservação das tradições pelas mulheres, quanto o abismo que separa a igualdade de gênero, onde os valores associados ao desenvolvimento e à prosperidade econômica não alcançam sexo feminino nestes países em crescimento. (Elizabeth Wilson, Adorned in Dreams. p 1-15)

Em meio a toda essa egotrip, a fotografia entra como a grande comunicadora entre as massas. As imagens da nova moda amplamente alardeada nos desfiles, revistas e demais mídias, informa ao mundo os novos padrões de identidade da nova era. Não é de se surpreender que os desfiles se adaptaram ao espetáculo. Cada estilista ávido pelo maior número de cliques, seu nome em destaque nas notícias e suas criações comentadas nas manchetes e em cada editorial. E, novamente, o vestuário se desapega da função utilitária do dia a dia e dá lugar ao conceito, ao entretenimento e à identidade evidenciada ao mercado. O que será efetivamente vendido ao público, vem depois, nas lojas, como um produto secundário, que terá maior ou menor êxito conforme o sucesso da venda das marcas, como símbolo, conceito e identidade que se renegam e reinventam a cada nova estação. (Eugénie Shinkle, Fashion as Photograph. 2008, p 1-28)

Tá bonita na Foto?

Por: Alessandro Filizzola

Artigo originalmente publicado pela revista Adriana Chiari Magazine, Edição 15/2019, em Londres.

“As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental” – já dizia Vinícius de Moraes em uma de suas músicas lá pelo final dos anos 50. Sexismo, chauvinismo, feminismo e tantos outros “ismos” aplicáveis à parte, o mundo mudou muito de lá pra cá. Entretanto, em meio aos avanços sociais e das mídias digitais, toda a feiura será castigada. Ao menos ao que se refere à imagem das empresas e seus produtos.

Nesta era de imagens instantâneas e efêmeras, somos bombardeados impiedosamente pelo excesso constante de informação, que disputa por um fragmento da nossa atenção (sempre tão dispersa). Julgamos o que vemos na mesma fração de segundo em que surfamos pelas páginas da web. Cada instante é decisivo para conquistar ou perder de vez o a atenção do seu cliente. Não há espaço para amadorismos.

Já ouviu falar daquela outra máxima que diz: “Falem mal, mas falem de mim”? – Pois não é bem assim. A não ser que o seu negócio seja chocar e causar polêmica, no fim das contas, o que todos querem é que se fale bem. E veja que o nível visual dos anúncios e posts subiu muito. A todo instante nosso feed de notícias é inundado por fotos dos mais variados assuntos. São pets fofinhos, almoços gourmet, férias paradisíacas… e aquele seu amigo sem noção que fica repassando spans, tragédias, correntes (e discursos intermináveis  – e radicais – sobre política) que você acaba bloqueando e banindo juntamente com anúncios indesejados. A GDPR (General Data Protection Regulamentation) veio para estabelecer um pouco de ordem no bombardeio digital. Sobrecarregar as pessoas com spans e mensagens não solicitadas, antes era apenas falta de bom senso empresarial, que apenas aborrecia e fazia com que os possíveis clientes banissem mensagens indesejadas para as caixas de span; mas agora é ilegal. Ou seja, para se destacar, as postagens e anúncios tem que ser inteligentes e profissionais. Tem que chamar a atenção pela qualidade. E nada chama mais a atenção de imediato que uma boa imagem.

Por um instante imagine que você chega numa festa onde não conhece ninguém. O que chama primeiro a sua atenção? Não tem como ser o caráter ou a conversa agradável de ninguém, pois você ainda teve a oportunidade de conhecê-los. A não ser que você seja portador de alguma necessidade especial que limite os seus sentidos (ou seja um fura festa profissional que já chega vendo de onde saem os garçons com as bebidas e onde está o buffet), certamente o que vai te chamar a atenção de imediato é a aparência. E se estiver solteiro, então… 

“Uma imagem vale mais do que mil palavras” – É exatamente isso. No máximo você tem tempo de adicionar uma legenda rápida. Agora me diga, quais são estas mil palavras que a sua imagem ou do seu produto estão valendo?

Imagens comunicam instantaneamente. Mais da metade do cérebro humano é dedicado exclusivamente ao sentido da visão. Somos seres visuais. Imagine só que a audição, tato, olfato e paladar estão lá disputando os cerca de 40% restantes da sua cabeça simultaneamente com o que mantém você respirando, o seu coração batendo e tudo mais funcionando no seu corpo. E olha que ainda assim, não temos muito controle do que vemos. Cada imagem e percebida diferentemente por diferentes pessoas, pois todos temos diferentes experiências de vida que vão determinar a forma como reagimos a cada estimulo visual e o que ele nos representa. Mas há algo instintivo que permeia a todos e ainda referências culturais comuns que podem ser utilizadas a favor da sua imagem e por aí vai. Mas isso já é assunto para um outro artigo. O que eu quero aqui é só despertar a sua atenção para estas nuances.

Seja qual for o seu produto, o que se deseja é que ele seja bem visto e desejado pelo seu cliente. E, se você usa redes sociais, a sua vida pessoal também se encaixa aqui. Afinal, por que você acha que o povo anda caprichando tanto nas selfies e comprando os celulares top de linha por causa da câmera de última geração?! – Vivemos numa era de imagens. Você pode até achar isso todo muito superficial e questionar estes valores, mas isso não muda o fato de que eles estão aí e são propagados pela cultura de massa. Goste você ou não, este é o mundo em que vivemos. Melhor tentar entendê-lo para melhor lidar com ele.

Nessa altura, talvez você já tenha lembrado de alguns exemplos, possivelmente bem conhecidos por você, de pessoas e empresas de sucesso, que utilizam e gerenciam muito bem as suas imagens públicas e são muito bem sucedidas por isso. Mas vamos a alguns exemplos práticos pra ajudar a ilustrar a ideia: Airbnb, Red Bull e aquela celebridade instantânea.

Conhece alguém que quando sai de férias já começa logo a pesquisar o melhor lugar para ficar? Até recentemente para fazer isso só era possível através de uma agência de viagens. Mas hoje, com as facilidades de um mundo cada vez mais conectado pela internet, fica fácil pesquisar por você mesmo. Eu mesmo, enquanto estou escrevendo este artigo, estou aqui confortavelmente instalado no centro histórico da Cidade do Panamá, de frente pro mar em um apartamento de temporada que encontrei pelo Airbnb. Esse aplicativo surgiu baseado em um novo modelo de  negócios: facilitar o aluguel de imóveis para turistas negociando diretamente com os locatários. E o Airbnb é o líder disparado deste seguimento. Mas você arriscaria dizer qual foi a decisão que catapultou este aplicativo para esta liderança? Você pode até achar que foi o aplicativo em si, mas não. Havia e há outros aplicativos semelhantes no mercado. A decisão diferenciada que fez o negocio prosperar foi a de estabelecer uma rede de fotógrafos profissionais para garantir imagens atrativas e que representassem bem os imóveis anunciados. A grande sacada foi perceber que, não interessa quão bom seja o aplicativo, se os clientes não se sentem estimulados a reservar devido às fotos de baixa qualidade que os locatários enviavam. A partir desta constatação e da contratação de profissionais, o Airbnb saltou da vala dos comuns para a liderança do mercado.

Outro caso icônico é o de uma empresa obscura de energéticos da Áustria, que com o slogan dizendo “dar asas” aos seus consumidores, decidiu investir pesado em esportes radicais e à beleza monumental da fotografia associadas à sua marca. Hoje esta empresa, não só é a líder mundial da venda de energéticos, como  ela goza do luxo de ter, não uma, mas duas equipes de Formula 1, times de futebol e tantas outras equipes de ponta para promover a imagem dos seus produtos. Quase que certamente, você já tomou, ou pensou em tomar, um Red Bull quando precisou do up de umas “asas”.

E quanto à aquela celebridade que é famosa só por ser famosa? Bem, nem precisa citar o nome de uma específica, pois há várias. Entretanto, a fórmula do sucesso é uma só: exposição e acessoria de imagem cuidadosamente produzida e divulgada pela mídia.

Imagem é coisa séria e vai muito além do simples “bom gosto” ou de ter uma boa câmera. Existe muito estudo e técnica envolvidos em uma campanha de sucesso. Designers e fotógrafos qualificados levam anos se aperfeiçoando para isto. Eles não só conhecem o equipamento e recursos tecnológicos disponíveis, mas também dominam conceitos como o da diagramação, composição, estética, direção, iluminação, psicologia das cores e semiótica (só pra citar alguns) para garantir as melhores chances para o sucesso do seu produto. Quando se quer construir uma casa ou se precisa ir ao médico, sempre se recorre a um profissional que se formou para isto. Ninguém quer correr o risco da casa desabar ou ser sua saúde entregue à sorte. Por que não fazer o mesmo quando se trata da divulgação das empresas?

No universo de glamour e exaltação visual ao nosso redor, “aparecer bem na foto”, mais que uma obrigação, é uma questão de sobrevivência. E, depois de tantas citações, vale parafrasear novamente o saudoso poeta: As “publicações” muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental.