Panamá: um canal e o país ao redor

Por: Alessandro Filizzola
Relatos de viagem / fotos com o celular – mobiligrafia

O Canal

Quando se fala em Panamá, deve ter gente até que se esquece que, mais do que um atalho entre o Atlântico e o Pacífico, Panamá é um país. Mais que isso, acredito que poucos saibam que a capital desse país se chama Cidade do Panamá. Panamá é a palavra chave, mas é quase certo que a primeira coisa que vem à mente associada a ela seja o Canal, e depois, talvez um chapéu. Então, vamos começar logo pelo que interessa: o Canal do Panamá.

Este famoso canal que liga o Atlântico e o Pacífico, cortando pelo meio do Continente Americano, foi construído entre 1880 e 1914, mas a rota por entre este estreito no continente já era conhecida pelos nativos desde de tempos pré hispânicos. A construção foi iniciada pelos Franceses, que pegaram a pedreira; e depois pelos Norte Americanos, que erradicaram a febre amarela, promoveram a independência da Colômbia, e em troca ocuparam e tomaram posse de tudo até 1999, quando o controle do Canal passou aos panamenhos. 

O percurso entre um oceano e outro tem cerca de 80km e a travessia de um navio de carga pode custar fácil de algumas centenas à cerca de um milhão de dólares, dependendo do tamanho do cujo. E olha que quando se fala desses navios cargueiros, estamos falando de bicho grande. Parecem mais montanhas cruzando aquele filete d’água carregados com trocentos mil containers (de 5 a 14 mil containers). Essas monstruosidades flutuantes são feitas sob medida para o canal e levam o nome de Panamax. Estes barcos seguem puxados por locomotivas que os vão rebocando ao longo das duas margens entre uma eclusa e outra. E, baseado nas medidas de precisão do meu olhômetro, dá pra dizer que o aproveitamento de espaço é tão preciso na largura do casco, que deve sobrar mais ou menos um palmo de cada lado entre o barco e a margem. A tarifa mais barata para a travessia – alguns centavos – foi paga por um Inglês, que em 1928 atravessou à nado. Talvez ele não soubesse que, além dos Panamax, o canal é infestado de outro tipo monstro que também nada por ali: o crocodilo americano; que está entre as maiores espécies de crocodilo do planeta, chegando a medir mais de 6m e pesar quase uma tonelada. Bem já diz o ditado, que “Deus protege bêbado e menino bobo”. Isso posto, vale notar que essa breve introdução foi escrita com base na ótica emocional das minhas lembranças. Se referências e dados mais exatos são o que você procura… lascou.

A eclusa de Miraflores, que fica praticamente dentro da Cidade do Panamá e dá acesso ao Pacífico, possui mirante, cinema, museu e restaurante com acesso ao público pela módica quantia de U$20 por pessoa. De lá dá pra ficar admirando embasbacado os navios passando ali logo em frente pelo canal antigo, enquanto as montanhas flutuantes dos New-Panamax / Chinamax passam ao largo, mais atrás no horizonte, pelo canal novo que foi inaugurado em 2016. Durante metade do dia o sentido do canal vai do Pacífico ao Atlântico, e na outra metade o sentido do trânsito se inverte. Leva aproximadamente 10h pra um navio atravessar de um lado ao outro. O canal funciona todos os dias e durante o dia inteiro, Não para nunca. Carimbada essa figurinha obrigatória no álbum, passemos então ao que sobra no entorno do Canal: A cidade do Panamá. “Mas, mestre… Panamá não é só um canal e um chapéu?” – Não gafanhoto. Panamá é muito maior do que isso. E você deveria estar prestando mais atenção…

A Cidade do Panamá

Não, não é uma zona franca de comércio e um paraíso de compras, como muitos por aí dizem sem saber. É bem pelo contrário. Salvo algumas coisas como o transporte, o resto é bem caro e com preços se igualando aos de Londres. A moeda corrente é o Dólar Americano, embora exista uma moeda nacional chamada de balboa – equiparada ao Dólar –  que é mais comumente usada para o troco em moedas. A melhor época do ano para visitar com tempo bom (confortáveis 30° com sol rachando de secar mamona) vai de Dezembro a Março por causa das chuvas torrenciais que ocorrem durante o resto do ano.

De acordo com os motoristas do Uber que pegamos (curiosamente quase todos também atendentes de bordo nas companhias aéreas e fazendo um bico nas horas vagas) o aeroporto do Panamá é disparado uma das maiores conexões de vôos entre os aeroportos de todas as Américas. Ainda pelo o que eles nos disseram, apesar de ainda pouco conhecido por nós, o Panamá já superou a Costa Rica em número de turistas e continua se desenvolvendo mais e mais a cada ano.

10 entre 10 pessoas recomendam não usar o serviço de taxi. Dizem ser desonesto e perigoso. O Uber é legalizado e funcionou muito bem com corridas pelo centro da cidade, custando em média de U$2 a 5. A comida é interessante e repleta de arepas, bananas verdes fritas (patacones) e mandiocas chips, mas não chega a se destacar como a Peruana e a Brasileira. Come-se muito frango e peixe frito, guarnecidos com arroz, lentilhas, patacones, inhame e guandú. Pra quem conhece, lembra muito a comida Colombiana no geral. O que merece destaque é o café, que oferece uma excelente gama de opções, que custam em média de U$5 a 10 (1/2 kg), para os tidos como muito bons, como os de Boquete (sem trocadilho aqui). E, de U$10 a 15, para os tidos como top no mundo, como o Geisha. Outro destaque fica para o Rum Abuelo de 12 anos (U$28), que se tornou nosso companheiro inseparável de todas as horas nesta viagem. 

Sei que vai ser um choque pra você e confrontar as suas verdades, mas o chapéu Panamá não é feito no Panamá (boom!). Ele vem do Equador e levou esse nome por causa do presidente estadunidense durante a construção do canal, que foi presenteado com um chapéu destes – que se usava largamente na região por causa do sol inclemente –  e que, ao voltar pra casa, lançou moda e estabeleceu a fama dos chapéus “Panamá”. Mesmo assim, vale fazer uma terapia pra superar a sua decepção e investir num chapéu destes quando for lá. A qualidade deles realmente é muito superior. Pra dar uma ideia, um modelo mais acessível custa em torno dos U$30. Já os modelos intermediários, que são um pouco melhores e mais macios, que vem enrolados como um canudo dentro de uma caixinha de madeira pra viagem e não se deformam, vão custar entre U$40 e 60. E, a partir daí, o céu é o limite. Os modelos requintados de trama mais elaborada podem ultrapassar os U$2.000. Indo ao centro histórico (Casco Viejo) faça uma visita ao “El Palácio del Sombrero” pra ganhar uma aula comparativa dos vendedores de lá e ter a certeza do que está comprando. Eles podem ficar um bom tempo te explicando tudo o que você precisa saber. A sua maneira de olhar para um chapéu nunca mais será a mesma depois disso.

A cerveja padrão (Panamá, Balboa e Atlas) seguem o padrão lager americano mista de não-maltados, cheias de conservantes e de produção barata de larga escala, seguindo a mesma linha parecida deste tipo de cerveja popular, que você encontra em qualquer outro lugar pelo mundo. Lá também é relativamente fácil encontrar artesanais de melhor qualidade e sem muita variedade, mas os preços dão um salto.

Lá, pode-se distinguir claramente duas cidades logo à primeira vista: Uma moderna e repleta de prédios altos; outra antiga e repleta de casarões históricos em diferentes estados de conservação. Na primeira há uma orla ampla, edifícios de arquitetura arrojada e que, em alguns momentos, espelham os projetos de Dubai. De lá, é tudo o que eu sei, pois não perdi o meu tempo ali. Alugamos, pelo Airbnb, um apartamento charmoso e funcional (U$365 por 3 noites para 3 pessoas), super bem localizado na parte histórica da cidade, que é conhecida como “Casco Antiguo”. Essa parte da cidade me pareceu muito mais interessante. Dali era possível passar os dias explorando à pé as ruelas em meio ao colorido daquele casario em processo de revitalização.

Ruinas de Panamá Viejo

Do primeiro assentamento da cidade, conhecido como Panamá Viejo, só sobraram as ruínas, que se podem visitar (US20). Lá há um museu que conta a história da cidade e de como ela foi atacada e destruída por corsários ingleses lideradas por Henry Morgan, em 1671. Bem, na verdade ela foi sitiada pelos corsários, mas foram os próprios moradores que a destruíram para que os invasores perdessem o interesse e fossem embora. De pé, hoje só restam algumas paredes do convento e o esqueleto da antiga torre da igreja. Depois disso, os habitantes se mudaram para a área de Casco Antiguo e lá reconstruíram uma nova cidade, mais protegida que a última.

Centro Histórico de Casco Antiguo

No Casco Antiguo ficam a sede do governo e também algumas embaixadas. Muitas opções de restaurantes e hotéis. Os limites desta área são fáceis de se identificar pelo calçamento de lajota vermelha das ruas. Segundo me disseram, é muito seguro andar por alí. Há uma polícia especial para a segurança do turista naquela área e leis severas para punir aos que façam algo contra estes. 

Na feira de artesanato que fica ao redor do “Passeo de las Bóvedas” e La Plaza de Francia, é possível ver uma boa representação do artesanato indígena e das tradicionais “molas” – bordados em camadas de tecido – típicos da província de Guna Yala. As vestimentas das mulheres Guna são uma atração à parte. De colorido exuberante, bordados, panos, adornos e pulseiras que cobrem toda a canela e os braços, elas atraem naturalmente a atenção e as lentes das câmeras. E boa sorte pra fotografá-las! Avessas às fotografias, convencer que elas posem para as fotos é uma questão de muita conversa, negociação e compra do artesanato que elas produzem. Mas o registro vale a pena. Do meio da feira encontra-se o acesso ao prédio da Embaixada da Espanha, que possui o melhor terraço da cidade velha, onde todas as tardes ia tomar uma cerveja pra refrescar e apreciar um “habano” vendo o por do sol e aguardando o nascer da lua. Sem falar que o atendimento de lá foi, sem dúvida, um dos melhores que tivemos no Panamá.

Falando em “habanos”, charutos falsificados se vendem por todos os lados. Procurando, acabei encontrando uma tabacaria lá na cidade velha. Queria muito experimentar os charutos panamenhos, mas eles só tinham cubanos e o atendente não era muito de conversa, mais interessado no jogo que passava na TV. Os Cohiba, Romeo Y Julieta n2 e Partagás Coronas custaram entre U$10 e 15.

Para conhecer mais da história do Casco Antiguo, das ruínas e das igrejas, invasões piratas, independência da Colômbia, mercado do peixe e curiosidades do local, fizemos um Free Walking tour com a Guru Walk. Que foram muito organizados com as confirmações da reserva. Nosso guia, Martín, foi bastante solícito e, mesmo sendo apenas dois para a visita guiada, e a despeito do sol escaldante do final da manhã, levou a cabo a sua missão.

Conclusão: Vá ver o Canal, mas indo ao Pananá, aproveite alguns dias pelo Casco Antiguo, que você vai se encantar e surpreender. E olha que nesta matéria eu nem falei das ilhas, hein?!

Hospedagem
Airbnb: Charming apt in Panama Old Quarter
https://www.airbnb.co.uk/rooms/8067448?guests=1&adults=1&s=o641-SOT

“El Palácio del Sombrero”
Calle 4a Oeste, Panamá
+507 389-8544

Guru Walk
Walking tour in Casco antiguo & churchs!
info@guruwalk.com
https://www.guruwalk.com

Habanos
Calle Primera, Passeo de las Bóvedas

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