Roteiro de viagem: Itabirito/MG – Pastel de Angu, Sustentabilidade e Umbigo de Bananeira

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Itabirito fica a aproximadamente 50 km de BH, seguindo na direção de Ouro Preto. Faz parte da Estrada Real e conta com alguns prédios históricos e estação da ferrovia preservados. Embora o que tenha nos atraiu pra lá durante este último feriado tenham sido a gastronomia e as curiosidades de uma mercearia que tem de tudo um pouco. Iguarias mineiras da roça que já não se vêem com facilidade hoje em dia e uma lição de sustentabilidade.

A cidade preserva algumas tradições de tempos antigos e que estão se perdendo, entre elas o Pastel de Angu, o Umbigo de Bananeira e uma pequena mercearia chamada Paraopeba que, felizmente, está ficando famosa, mas preservando a característica daquelas vendas que tem de tudo um pouco, incluindo produtos artesanais da roça feitos ali mesmo pelo entorno. Dinheiro nem sempre é a moeda corrente dos negócios que acontecem lá, muita coisa é trocada na base do escambo.  Não fui com a intenção de fotografar desta vez, mas pra quem gosta desta arte, vá preparado!

Dica: Caso utilize o GPS, note que no TRC não há mapa das ruas de Itabirito, mas no CityNavegator elas estão mapeadas. Não encontrei nenhum dos lugares procurados através dos Pontos de Interesse, portanto faça a busca pelos endereços.

Ainda na estrada, a primeira parada foi pra um lanche no Jeca Tatu, uma lanchonete a beira da estrada que reúne antiquário, museu e muita quinquilharia antiga espalhada por entre vinis e ares de fazenda. O pastel de angu é frito a todo instante. Tem os sabores mais comuns que são carne, queijo, frango com catupiry e umbigo de bananeira, embora lá também se encontrem suco de milho, pamonha, mingau de milho verde e refeições de comida caseira servida no fogão à lenha.

Seguindo para o centro de Itabirito, de frente pra torre da igreja fica a Mercearia Paraopeba. Ela é um daqueles lugares paradoxais que parecem maiores por dentro que por fora por causa do tanto de coisa que cabe lá. Os mais variados artigos ficam amontoados pelo balcão, piso, portas, paredes, prateleiras e teto, sobrando um pequeno corredor que é a conta de entrar e sair. Leva um bom tempo até as vistas se acostumarem e começarem a focar – e distinguir – as coisas em meio aquela profusão. Lembrou muito as barraquinhas das erveiras lá no Mercado do Ver-o-Peso em Belém do Pará, só que maior e com mais variedade de temas.

Assim que a gente entra na mercearia, somos logo identificados como turistas e a conversa corre fácil. O dono, muito atencioso, logo se prontifica a contar um pouco da história enquanto vai oferecendo provas de goiabada, doce de leite, alho frito temprado, cachaça… E sugerindo produtos estrategicamente desenvolvidos, e precificados, pra quem vem de fora. O grande barato é que, embora atraia gente de todo canto, os turistas disputam lugar com o pessoal da cidade, especialmente o povo mais simples, que vai fazendo compras sem tomar conhecimento do batalhão de curiosos. Na venda é possível encontrar, dentre outras coisas: goiabada, doce de leite, umbigo de bananeira, sabonete de cinzas, mandiopã (lembra disso? – é preciso ter mais de 30 pra lembrar rsrsrs), fubá de moinho d’água, café orgânico, carne de lata conservada em banha de porco, pastel de angu congelado pra levar, e por aí vai. Muita coisa caseira e ou artesanal, privilegiando o que é feito pela própria população da região.

Sustentabilidade, tal qual se vê na mídia hoje em dia, parece ser algo relacionado apenas à emissão de carbono e a coleta seletiva de lixo, mas isto é só uma pequena parte da verdade. Práticas sustentáveis envolvem aspectos sociais, culturais e, especialmente, transferência de renda e tecnologia para as comunidades do entorno das zonas de impacto de cada atividade. É surreal discutir o desmatamento com uma pessoa que está passando fome e brigando pra atender às necessidades básicas da sua família, quando a única fonte de renda eminente parece estar na degradação. Nestes casos, vive-se um dia de cada vez e não dá pra pensar na preservação, muito menos nas gerações futuras que ainda nem nasceram. Mas isto não sou eu que digo, não. Este é um dos princípios reconhecidos mundo afora (Desafios na Construção de Indicadores de Sustentabilidade ). De acordo com o que fazem, a Mercearia Paraopeba dá uma preciosa lição de prática sustentável ao privilegiar e contribuir com a renda dos produtores locais, ajudando a comercializar e a desenvolver a sua produção e a preservar as tradições e a cultura que vem passando de geração em geração. É um exemplo prático, sem demagogia ou utopia, de que o compromisso efetivo com a sustentabilidade está ao alcance de todos. Uma vez se garantindo um meio de sobrevivência digna, aí sim, se torna possível falar de preservação do ambiente e tantas outras questões relevantes também relevantes.

De lá da mercearia nosso plano era almoçar umbigo de bananeira no bar do Quincas. Depois de ficarmos perdidos pelos labirintos das ruas de Itabirito, finalmente encontramos o dito, mas pra nossa decepção, estava fechado. No posto logo em frente nos disseram que só abre a noite. Então, como não tínhamos levado outra opção de restaurante na manga, resolvemos começar o caminho de volta e paramos outra vez no Jeca Tatu e almoçamos lá mesmo.

Não fiz fotos do roteiro desta vez. Mas pra quem estiver interessado em saber mais, seguem os endereços e também alguns links muito interessantes sobre a Mercearia Paraopeba, o Jeca Tatu e também receitas de pastel de angu e umbigo de bananeira:

Jeca Tatu – Museu, antiquário e lanchonete
Rodovia dos Inconfidentes KM 45
GPS: S20 12.674 W43 50.404
Altitude: 1212m
Links sobre o lugar:
http://www.revistaviverbrasil.com.br/impressao/materia/77/especial-ii/um-museu-diferente/

http://www.youtube.com/watch?v=-CuSQOE-IlE


Mercearia Paraopeba
(aberto de 2ª a Sab. das 7 as 20h, domingos e feriados até meio dia)



Rua João Pessoa 110
fone: (31) 3561-2656 / 9950-2448 (Roney)
GPS: S20 15.254 W43 48.103
Altitude: 853m
2 vídeos documentários muito bacanas sobre a mercearia:
http://www.youtube.com/watch?v=aUiWgtIGJwU (independente)

http://www.youtube.com/watch?v=R6yMSogCgkg&feature=related
(causos, fornecedores e sustentabilidade – Globo Rural)


Quincas Bar
(não rolou de conferir, pois eles só abrem a noite)
Rua da Prata, 78
fone: (31) 3561-6945
GPS: S20 15.217 W43 48.528
Altitude: 858m


Receitas:

Receita do pastel de angu de Itabirito – Globo Rural
http://www.youtube.com/watch?v=OIaqgEG0-Lk&feature=related

Receita de umbigo de bananeira com detalhes – Sabres de Minas
http://www.youtube.com/watch?v=T8fPvMjpga0&feature=related

Receita metida a besta de galinha caipira com umbigo e mandiopã – Sabres de Minas
http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=cwvE0jhHrn4

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3 comentários em “Roteiro de viagem: Itabirito/MG – Pastel de Angu, Sustentabilidade e Umbigo de Bananeira”

  1. bão tamém heim?
    devia ter ido com vcs. os tres compromissos que marquei no feriado furaram. ninguem compareceu.
    cada dia considero mais acertada a escolha do bicho preguiça como mascote da cidade de lagoa santa. eitcha povinho sô.
    e se pressionar… não aparecem nunca mais.

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