Roteiro de viagem: Jalapão/TO

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Álbum de Fotos Jalapão 2011

O Jalapão é um daqueles redutos dos quais muita gente já ouviu falar, mas pouco se sabe a respeito. Vez por outra algum programa de TV fala dele e na memória acaba ficando um resquício de lembrança meio impreciso como aquela referência de lugar bonito, selvagem e inacessível no meio do… onde fica mesmo? As dúvidas  são compreensíveis, mesmo pesquisando na internet, as informações que encontramos sobre este lugar são relativamente poucas. Daí a conhecer alguém que foi lá e que possa compartilhar a experiência com riqueza de detalhes, mais raro ainda. No máximo, ouvi-se dizer que o amigo de um amigo esteve lá e blá, blá, blá… Mas, olha, seja como for, se você é daqueles que gosta de passeios rústicos e de conhecer melhor o que a natureza brasileira tem de especial pra oferecer, o Jalapão, mais do que um destino certo, é uma obrigação a ser cumprida em uma das suas próximas férias!

Onde fica e o que tem lá?

Olhando no mapa, fica localizado no estado do Tocantins, a uns 200km à direita da capital Palmas, passando por Porto Nacional e indo em direção a tríplice divisa com o Piauí e a Bahia. As principais atrações estão concentradas ao longo do trecho de aproximadamente 170 km de estrada de terra — que se alterna entre piscinas fundas de areia muito fina e fofa, e um mar de costelas sem fim — entre as cidades de Ponte Alta do Tocantins e Mateiros.

O encanto do lugar, sem dúvida, é para os que gostam do ecoturismo. Se você é dos que entendem férias como hotéis confortáveis, mordomia e esforço zero, o Jalapão, ao menos pelos próximos anos, não é pra você. Entre as principais atrações estão as amplidões, o desolamento, os cânions e serras, o deserto, as dunas, as veredas, as águas cristalinas e potáveis, as cachoeiras e, opinião minha, a cereja do bolo como lugar obrigatório pra conhecer e experimentar nessa vida: o fervedouro. De bônus ainda temos a cultura e resiliência daquele povo isolado e o artesanato em capim dourado originário de lá d’aquelas bandas, que está conquistando o gosto do país e chamando a atenção do resto do mundo.

O nome “Jalapão” é derivado de uma planta medicinal comum da região, a Jalapa; que segundo Dona Rosa, folclórica dona de restaurante em Mateiros, nunca a viu, mas sabe que é excelente remédio purgativo. O Jalapão não chega a ser um parque inteiramente protegido, embora possua muitas áreas delimitadas e a sua baixíssima taxa de ocupação humana, que é uma das menores do Brasil, aliadas à dificuldade de acesso, garantam o seu atual estado de preservação, ao menos por enquanto.

O passeio oficial começa pela cidade de Ponte Alta do Tocantins, mas se você está vindo pelo caminho de Brasília, vale incluir uns dias a mais de viagem pra conhecer também Vila de São Jorge e um pouquinho da Chapada dos Veadeiros. Depois falamos mais desta escala e de algumas outras opções dos caminhos.

Mapas

http://www.google.com.br/imgres?q=jalap%C3%A3o+mapa&hl=pt-BR&sa=X&rlz=1W1SKPB_pt-PT&biw=1280&bih=601&tbm=isch&prmd=imvns&tbnid=mt3vZ0f688nAiM:&imgrefurl=http://www.pisa.tur.br/roteiro_mapa.php%3Fid_roteiro%3D1558&docid=vzCBdoGZPAiC1M&imgurl=http://www.pisa.tur.br/imagens/mapas/11_g.jpg&w=600&h=337&ei=GO-nTt_lAonagAeh2dkM&zoom=1

http://www.paneladeferro.tur.br/mapa.htm

Recomendações e preparo

As estradas de terra não chegam a ser trilhas muito pesadas, mas testam todos os apertos de parafusos do veículo e a resistência física e mental de quem por elas se aventurar. O calor do início de setembro, quando estive lá, devia estar na ordem dos mais de 40º e sem uma única nuvenzinha no céu. Brisa ou vento, nem pensar. Não precisa ter um 4×4 todo preparado, mas uma traçãozinha é muito bem vinda. De preferência vá em mais de um veículo, pro caso de um ajudar ao outro.

Ar condicionado e boa vedação contra poeira são praticamente itens de sobrevivência. Se seu ar precisar de alguma manutenção as únicas oficinas que mexem com isto são em Palmas ou em Campos Belos ou em Brasília. Precisando de algum reparo, por falar nisso, o contato é o Alexandre (62) 3451-1450/9668-7400/9668-1929 e (63) 9205-7966 abelokarcamposbelos@hotmail.com. Perguntando, é capaz de até hoje ele se lembrar do troller amarelo que passou por lá voltando do Jalapão…

O lugar é deserto mesmo e, dependendo da época em que for, a chance de encontrar alguém pelo caminho é praticamente nula. Rádios PX ou PY também são uma boa como item de segurança. Procure saber as freqüências usadas pela Brigada de Incêndio, Polícia Florestal e Polícia Federal de antemão. Celular fica fora de área por bons trechos. Em Ponte Alta do Tocantins só pega OI. Em Mateiros pega OI e VIVO.

Tenha barrinhas de ceral, biscoitos, frutas desidratadas, paçoquinha, castanhas e chocolate consigo. Também tenha muita água. Uma boa pra ter água gelada é levar as garrafas congeladas e ir bebendo na medida em que derretem. A princípio, todos os igarapés e fontes de água pelo caminho são potáveis, então sinta-se a vontade para bebê-las e reabastecer os recipientes vazios.

Não vacile: tenha certeza de que o motorista sabe operar os recursos da tração 4×4, como desatolar e dirigir em areia pra não ficar agarrado, sem freios ou embreagem de bobeira. Ah, se tiver uma cinta também é uma boa levar pro caso de precisar rebocar ou ser rebocado. E ferramentas! Mesmo que não saiba como usar, alguém mais pode saber e te salvar do aperto. Além de um jogo de chaves básico, tenha cordas, tiras de câmara de pneu, abraçadeiras de plástico (enforca-gato), silver tape, fita isolante, alicate, canivete/faca, lanterna, pedaços de fio e arame.

Há postos de combustível em Ponte Alta e Mateiros, mas vá com o tanque completamente cheio por via das dúvidas. E já que estamos nos atendo às precauções, aproveite e leve um litro de óleo de motor, um frasco de fluido de freio, um desengripante tipo WD40, silicone, superbonder, cola tipo sapateiro pra borracha e couro, um marcador de calibragem de pneus, uma bomba de ar 12v (de acendedor de isqueiro) pra encher pneu, kit básico de primeiros socorros, repelente, creme hidratante, protetor solar… Como diz um amigo meu, o Rui, “toda viagem tô sempre dando um jeito de levar uma muda de roupa a menos pra ir uma ferramenta a mais no lugar”! Mais pra frente quando estiver contando os detalhes da viagem, vocês vão entender que tudo isso acaba sendo muito útil alguma hora. Ah, prenda bem o seu step e a bagagem! Conheci um guarda florestal que disse ser comum encontrar pneus e outras coisas perdidas pelo caminho.

A melhor época e hospedagem

Acho que nem precisa dizer pra, de preferência, ir fora da época das grandes chuvas, né?!!! Nem tanto pela lama, pois sei que ela tem os seus aficionados, mas é que as principais atrações provavelmente estarão turvas, cobertas ou inacessíveis. Mas ninguém me disse isso, não, é só uma opinião minha. Observação: a grande temporada lá é em julho. Segundo o pessoal de lá, aquilo chega a dar congestionamento de tanto jipe. Fomos em setembro, nem uma nuvem no céu; tudo deserto, só tínhamos nós e um pessoal da Naturatins – Instituto Natureza do Tocantins que estavam a trabalho. Total: umas 10 pessoas…

Logo na saída, pra aliviar na carga, decidimos se iríamos ou não acampar. Por uma questão de comodidade e pra aproveitar melhor o dia sem preocupações com o acampamento, acabamos optando pela hospedagem. Mas depois de conhecer o local, posso dizer com certeza de que, de uma próxima vez que voltar lá, vou com toda a tralha de acampamento! É que o tempo de deslocamento até as principais atrações consome boa parte do dia e é muito desgastante. Lá tem campings e o ideal é acampar próximo das principais atrações pra poder curti-las melhor e aproveitar o dia com calma.

Sendo assim, temos as seguintes sugestões:

Imagino que durante a temporada as cidades inteiras se convertam em pousadas, mas há poucas que realmente ficam abertas o ano inteiro e que talvez estejam preparadas para recepcionar o turista. Quanto aos campings, não espere estrutura ou restaurantes, leve tudo o que for precisar tanto de equipamentos quanto de alimentação.

Ponte Alta do Tocantins

Pousada Verdes Águas

(63) 3378-1581

arilon@ibest.com.br

Mateiros

Pousada Panela de Ferro

(63) 3534 1038 / 9999 7417

http://www.paneladeferro.tur.br

mail@paneladeferro.tur.br

Pousada Planalto (nova, não ficamos nela, mas pareceu bem estruturada)

(63) 3378-1141

Pousadaplanalto.jalapao@ig.com.br

Campings

Camping da Prainha, depois da Cachoeira da Velha

Escala recomendada pro meio do caminho. Em julho deve ter movimento, mas fora de temporada fica deserto.

Camping do Vicente

Não fomos lá, mas parece ser bem estabelecido. Fica próximo à Cachoeira da Formiga e o fervedouro, a meio caminho da comunidade quilombola da Mumbuca e Mateiros.

(63) 3534-1195/9975-1918

Vicente.alves73138@.br (endereço bizarro, mas é o que está no cartão dele)

GPS:   s 10’33564’   wo 46’51961’

Atrações

(Ainda em redação. Assim que tiver mais um tempo, vou completando a matéria)

http://www.alugueldetemporadabrasil.com/destinos/Tocantins/Ponte-Alta–Jalapao-

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Epílogo – Primeira tentativa de chegar ao Jalapão de moto

Saímos eu e mais 3 companheiros do PDF MC em motos e com destino ao Oiapoque e Guianas. Estávamos com uma viraguinho (eu), uma dragstar (Haroldo), uma buell ulissys (Dangelo) e uma XT (Rui). Eu faria uma escala, acompanhando-os até o Jalapão/TO, e de lá voltaria.

Com cerca de 170km rodados a viraguinho começou a apresentar problemas de alimentação muito semelhantes a entupimentos no carburador. A primeira providencia pra não atrasar a viagem foi parar em um posto e reabastecer com um aditivo de limpeza rápida de bicos e carburadores na esperança de ser apenas algum cisco de goma ou coisa parecida. Afinal, a moto estava revisada, com carburador limpo e com tudo em dia. Demos um tempo pra ele agir, tomamos um café, e voltamos pra estrada.

Seguimos e durante os 70km seguinte rodamos numa boa, o entupimento parecia ter passado. Rodávamos numa média de 110-120km/h. O asfalto está bom, o trânsito estava tranqüilo e com muitas oportunidades de ultrapassagem. De repente o entupimento voltou. A moto engasgava bastante, mas não chegava a morrer. Reduzindo a velocidade a 80-90km/h por um tempo ela estabilizava e voltava ao ritmo normal pra logo em seguida engasgar outra vez. Tudo indicava pra um entupimento parcial do giclê de alta. Talvez algum cisco que volta e meia se prendia e desgarrava solto pela cuba do carburador. Encostamos depois de mais uns 120km e, com o auxilio de uma mangueirinha de aquário e uma chave de fendas, abrimos o parafuso de dreno e esgotamos a cuba na esperança de que a sujeira fosse literalmente pelo ralo.

Mais uns 100km e tudo de novo, novamente o engasgo. Imaginamos que poderia ser alguma mangueira de alimentação dobrando com o calor e interrompendo o fluxo da gasolina. O Rui atentou para a mangueira de saída principal do tanque que fazia uma curva meio quebrada. Voltamos pra estrada e quando a moto ameaçava gaguejar eu apertava a curva com a mão esquerda pra normalizar a passagem. Pareceu funcionar! Mas a alegria durou pouco. Depois de mais algumas dezenas de quilômetros, o problema retornava. Aí já não tínhamos mais muito que fazer, continuamos e o jeito foi administrar a velocidade e o problema até chegarmos a Brasília.

Em Paracatu ainda não estávamos na reserva e deixamos pra abastecer em um posto mais adiante. O único posto do trecho apareceu mais uns 30 km a frente e todas as bombas estavam interditadas. O frentista disse que estava em reforma e que só haveria outro posto em Cristalina, mas de 70 quilômetros adiante. As reservas da virago e da drag não agüentariam tanto. Então, o Dangelo com a Buell, por ser a moto mais rápida, deu meia volta pra trazer gasolina pra seguirmos viagem. Nesse meio tempo aproveitei pra fazer alguns testes com a viraguinho e troquei o TCI, por um reserva que trazia comigo, pra descartar a possibilidade de o problema estar sendo causado por ele. Foi quando aquele mesmo frentista resolve vir falar conosco e dizer que tinha gasolina pra vender fora da bomba. PQP!!!

Mais alguns minutos e o Dangelo retornou com dois galõezinhos de gasolina e voltamos pra estrada. Também não era o TCI. O problema persistia com as mesmas características e os colegas seguiam me escoltando pra não separar o grupo. Vez por outra dois aceleravam um pouco enquanto outro me acompanhava e assim fomos levando. Já com o sol próximo de se por a viraguinho deu um apagão geral durante uma ultrapassagem. Como a ultrapassagem era tranquila e numa descida, fui para o acostamento oposto sem susto, mas aí o problema tinha preocupado pra valer! Assim que a pista ficou livre troquei de acostamento para a mão correta e abri a moto para averiguar o problema. O Rui estava comigo enquanto o Dangelo e o Haroldo encostaram uns 10km a frente pra nos esperar. A comunicação era feita por rádios talkabout e nos surpreendemos com o alcance naquele trecho da rodovia. Ao abrir a moto o problema apareceu de cara. Felizmente não era nada mais grave, apenas o borne da bateria que havia se quebrado. Gastamos um tempoinho improvisando um conserto pra restabelecer o contato elétrico, mas correu tudo bem. Reunificamos o grupo e bola pra frente.

Foi um belo fim de tarde. Chegamos a Cristalina já no começo da noite. Pra BSB ainda faltavam uns 120 km e todos concordaram em não arriscar seguir a noite. Como ainda era cedo e a garganta estava seca, tanto pelo clima, quanto pela estrada e as adversidades. Pra surpresa nossa o Hotel Cata Vento que fica ao lado do posto JK em Cristalina era muito bom e em poucos instantes já estávamos instalados e tomando uma cerveja na varanda. Depois fomos comer um sanduiche na lanchonete do posto. Com os ânimos restabelecidos criamos coragem pra desmontar e fazer uma limpa geral no carburador da moto pra descartar de vez o problema. Encostamos a viraguinho debaixo de um poste de luz e começamos pacientemente o desmanche.

Mas parece que a bruxa estava mesmo solta. Ali parada a drag colou o pneu no chão. Furou! Pelo menos estávamos do lado do posto e lá tinha borracheiro. O grupo se dividiu em dois: eu e o Rui na limpeza do carburador, o Dangelo e o Haroldo no conserto do pneu. Pelos rádios íamos nos falando.

(Ainda em redação. Assim que tiver mais um tempo, vou completando a matéria)

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7 comentários em “Roteiro de viagem: Jalapão/TO”

    1. rsrsrsrsrs
      Tá faltando tempo pra eu poder colocar estes roteiros em dia!
      mas, qualquer dúvida mais específica que você tenha, me falar que vou te esclarecendo daqui no que der.
      Já que vc vai em julho, a boa notícia é que aquilo lá deve ter bastante gente. Procure reservar com antecedência e se programar para acampar na cachoeira da velha e ou formiga.
      O Jalapão é muito bacana. Se esse tipo de roteiro te geralmente te apetece, tenho certeza de que vai curtir muito.
      boa viagem!

      Curtir

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