Roteiro de viagem: Peru e Bolívia

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Já faz dois anos que voltamos dessa aventura e muita coisa ficou na memória.

O roteiro foi sendo alterado ao sabor das greves, interrupções de estradas e ferrovias,  e alguns feriados. Viagem para quem gosta de aventura e não se abala com as adversidades. As belezas naturais encontradas foram inigualáveis, muita beleza também na arte e arquitetura dos lugares, sabores os mais variados, dos muito simples aos mais sofisticados, e muita gente fascinante pelo caminho. Alguns filhos da puta também. Muitas histórias para contar.

Falando em cidades e povoados, a viagem pode ser resumida da seguinte forma: Belo Horizonte/Brasília – São Paulo – Lima – Cusco – Pisac – Urubamba – Ollantaytambo – Aguas Calientes – Machu Picchu – Poroy – La Paz – Oruro – Uyuni – Puno – Lago Titicaca – Copacabana – Arequipa – Chivay – Cañon del Colca – Nasca. A altimetria passou pelo nível do mar até os 5.000 metros de altitude.

A primeira surpresa, ainda no aeroporto de Guarulhos, foi encontrar no lugar do Alessandro Filizzola, o seu alter ego, “El Bigodon”, meu grande companheiro de viagem.

Tentando agrupar os assuntos por temas, conforme sugerido pelo Alessandro, vou tentar organizar o pensamento em termos de paisagens, sabores, pessoas e o extraordinário.

Paisagens: o grande destaque pra mim foi o Salar de Uyuni, na Bolívia, com seu deserto de sal, lagoas de flamingos e vulcões, em impressionantes 4.500 m de altitude e temperaturas extremas à noite, em torno de – 15 graus. O vale sagrado do Rio Urubamba com as ruínas de Machu Picchu também se destaca. Cusco é uma cidade muito interessante, da mesma forma que Arequipa, a cidade branca peruana, terra de Vargas Llosa, com o Cânion do Colca e os condores nas proximidades.

Sabores: a culinária peruana é riquíssima e o mundo já a descobriu. O Chef Gastón Acurio já é uma celebridade global e tivemos o privilégio de jantar em um de seus restaurantes, o Chicha. Além dos ceviches, muitos outros pratos, com a diversidade de ingredientes e a fusão da cultura local com a espanhola, ou como eles dizem, fusion cuisine desde os século XV. Há uma infinidade de espécies de milho, de muitas cores e sabores. O toque de exotismo é o costume de comer porquinho da Índia, que pra mim permanece como bicho de estimação, mas El Bigodon só deixou os ossos. Na Bolívia também há o que se notar, com destaque para a quinoa, que está chegando aos nossos pratos.

Pessoas: conhecemos gente do mundo todo, e até alguns brasileiros (maranhenses com saudades do Brasil, depois de longos 6 dias de viagem). Muitos estadunidenses e europeus, alguns japoneses, israelenses e australianos. Dos peruanos me chamou a atenção a falta de beleza. Do bolivianos a hostilidade em relação ao resto da humanidade. Os destaques foram muitos. Os irmãos que desceram a América de bicicleta, desde o Alasca em direção à Terra do Fogo – um deles não calçava sapatos há anos; as duas doces senhoras israelenses, nossas companheiras de Salar de Uyuni, que nos mostraram que preconceitos não devem subsistir e nos viram como os meninos que somos; a francesa da Nova Caledônia, isso mesmo, da Polinésia Francesa, que parecia ter saído de um quadro de Gauguin, e roncou e peidou mais do que os dois visigodos que vos falam. E muito mais gente maravilhosa.

O extraordinário: a rua das Bruxas em La Paz, assim como a Catedral, que, se não me engano, era dedicada a São Francisco de Assis; a travessia de Lago Titicaca, que fizemos obrigados pela greve geral peruana – e que nos permitiu essa experiência única de navegar pelo umbigo da terra – salve Pachamama!; a subida de Wayna Picchu em Machu Picchu, que nos exigiu esforço físico além das nossas capacidades e proporcionou uma vista impressionante do Vale Sagrado, além de dores musculares por alguns dias; As piscinas de água quente em Arequipa – as do Salar de Uyuni também devem ter sido, mas não tive coragem de tirar a roupa.

Essa é apenas uma visão panorâmica dessa bela viagem feita em excelente companhia, que carece de detalhamento, pormenorizando alguns causos pitorescos e contando umas mentiras para dar mais cores ao relatado.

Viva a América Latina!

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