Desafios na Construção de Indicadores de Sustentabilidade

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download da resenha Os Desafios na Construção de Indicadores de Sustentabilidade em PDF

Resenha feita a partir do original: Guimarães, Roberto P. e Feichas, Susana A. Q.. Desafios na Construção de Indicadores de Sustentabilidade. Artigo. Ambiente e Sociedade. Campinas, jul.-dez. 2009. Artigo consultado entre agosto e setembro de 2011 e disponível em: http://www.scielo.br/pdf/asoc/v12n2/a07v12n2.pdf

A operacionalização de conceitos relacionados à sustentabilidade, tais como os que se referem a mudanças de comportamento na forma como os seres humanos se relacionam com o meio ambiente, bem como no modo de formular, implementar e avaliar políticas públicas de desenvolvimento (Rio-92), exige o uso de indicadores que auxiliarão na gestão dos desafios propostos e das mudanças a serem realizadas, atuando como uma bússola a nortear e corrigir o caminho rumo ao futuro desejado. Para tanto, os autores neste artigo selecionaram e analisaram os principais aspectos do que consideraram ser os cinco índices mais relevantes: IDH, IBES-IPG, Pegada Ecológica, IDS-IBGE, Matriz Territorial de Sustentabilidade. Assim como das implicações da escolha, utilização e objetivos da adoção de indicadores de sustentabilidade.

Além da análise das principais características, benefícios e desvantagem de cada índice, o texto também apresenta informações que auxiliam o leitor no entendimento da razão dos indicadores e do contexto do desenvolvimento sustentável ao apresentar reflexões sobre os limites biofísicos do planeta, a deterioração dos tecidos sociais, das mudanças necessárias no comportamento individual e coletivo, dos processos decisórios e das políticas públicas; sempre permeando um pouco da história relacionada através de eventos marcantes e das conferências internacionais como a de Estocolmo (1972) que chamou a atenção do mundo para os impactos negativos do desenvolvimento e para outras faces desta questão, para além da dimensão econômica; e a Rio-92 que amadurece princípios e ações com sua Agenda 21 e que, segundo (WCED, 1987, p.9, apud Guimarães e Feichas)[1] poderia ser resumida a seguinte sentença: “atender às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades”

Síntese comparativa das propostas de indicadores analisadas
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Indicadores analisados
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Aspectos relevantes  Limitações 
IDH  Avança sobre a forma de medir o crescimento, agregando variáveis sociais.Referencia mundial de fácil comunicação.
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Não mede desigualdades nem aspectos qualitativos relativos à dimensão social 
IBES-IPG  Incorpora dimensões antes não medidas como serviços fora do mercado, gastos defensivos e não defensivos.Revela a disparidade entre crescimento e desenvolvimento.
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Complexidade do seu desmembramento e entendimento. 
Pegada Ecológica (Ecological Footprint Method) Relaciona área ecológica
ao consumo.Possibilita a conscientização.
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Complexidade do seu cálculo para tomada de decisão. 
IDS – IBGE  Incorpora múltiplas dimensões.Constitui-se um banco de dados.
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Complexidade dos indicadores 
Matriz Territorial de Sustentabilidade (POETA)  Permite a participação da sociedade.Alia desenvolvimento territorial e desenvolvimento sustentável.
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Comparabilidade entre localidades diferentes. 
Fonte: Guimarães e Freichas, 2009, Quadro 2.

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O texto destaca ainda, para a sustentabilidade, o estreito vínculo entre o desenvolvimento econômico e humano e que não existe indicador perfeito ou universal. Para cada realidade, os aspectos aferidos deverão ser adaptados conforme a necessidade e com a participação dos atores envolvidos, tendo sempre em vista qual a sua finalidade e a quais grupos chave eles deverão atingir. Porém os autores observam que o estabelecimento de um parâmetro desejável deve ser capaz de “promover mudanças de comportamento e subsidiar processos de decisão individuais e coletivos em busca do desenvolvimento sustentável”. Para que isto seja possível, deve: possibilitar a comparação num mesmo território numa escala temporal e entre diferentes territórios em escalas temporal e espacial; ter apelo e capacidade de comunicação entre os diferentes atores envolvidos; agregar numa mesma medida múltiplas dimensões; ter a participação da comunidade; relacionar as variáveis presentes. E para completar, “é importante que indicadores de sustentabilidade sejam incorporados ao cotidiano e ao planejamento das pessoas, gestores e organizações como o são os indicadores econômicos.”

A argumentação oferecida pelos autores é um ótimo ponto de partida para o estudo e entendimento da importância e da razão dos indicadores para o desenvolvimento sustentável. Os cinco índices avaliados fazem um filtro crítico e apontam para as potencialidades de cada um deles, auxiliando na escolha e utilização destas ferramentas.


[1] WORLD COMISSION ON ENVIRONMENT & DEVELOPMENT – WECD. Our Common Future. Oxford: Oxford University Press, 1987.

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