Fórum Sustentar 2011 – Resenha

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Aconteceu no Minas Centro em Belo Horizonte/MG, durante os dias de 23 a 25 de agosto, o Sustentar 2011 – 4º fórum internacional pelo desenvolvimento sustentável. O evento contava com uma extensa agenda, diversas palestras acontecendo simultaneamente e agregadas sob os temas de afinidade tais como Clima, Direito, Construção Civil, Comunicação, Sociedade, Mineração, Educação, Varejo, Economia Verde, das quais procurei participar do maior número possível, selecionando as palestras e palestrantes de acordo com o meu interesse em cada assunto. O evento movimentou um grande número de pessoas com perfis aparentemente variados entre interesses, idades, formações e estilos, reforçando assim a idéia de que a sustentabilidade, indo além da mídia de almanaque, realmente é um tema de interesse da sociedade.

 

Infelizmente, o que estas pessoas puderam comprovar foi uma impressão de desorganização geral. O atraso foi uma tônica comum do primeiro ao último dia. Equipe de monitores e coordenação do evento desinformada das atividades. Moderadores das mesas equivocados (talvez se imaginando o Roberto Justos num programa de TV). As palestras aconteceram de forma aleatória e à revelia do programa.

Talvez o mais grave tenha sido a postura geral dos palestrantes que, respeitadas algumas exceções, confundiram aquele palco com uma oportunidade meramente comercial para suas empresas e, ao invés de se concentrarem no tempo de que dispunham e no tema que deveriam apresentar, desvirtuavam-se em enfadonhas e intermináveis apresentações de PowerPoint sobre o portfólio, produtos e serviços de suas organizações. Não perceberam que apenas uma explanação clara, focada e consistente ao tema proposto pelo fórum seria mais do que o suficiente para despertar a atenção para aquelas firmas e, o principal, cumprir com o objetivo daquele encontro.

A tônica dos conteúdos apresentados foi bastante repetitiva nas salas que tive a oportunidade de participar. Girava em torno de conceitos básicos e da história das grandes manifestações sobre o tema, como a conferência de Estocolmo em 1972, a Rio 92 e o deslumbramento auspicioso com a realização da Rio+20. Muito blá,blá,blá e poucas ações praticas ou orientações objetivas sobre a atualidade e os rumos possíveis e plausíveis. É possível que isto seja apenas um reflexo da juventude da pauta sustentável, onde muitos se preocupam mais com as definições e os discursos do que com o verdadeiro significado do que se está dizendo. Indício de que aquelas pessoas andam bebendo das mesmas fontes sem muita visão crítica ou inovadora. Uma característica marcante deste tipo de palestrante foi uma aparente arrogância e descaso para com a platéia e com os colegas. Curioso, inclusive, o comportamento recorrente de, sequer, assistir as apresentações dos outros palestrantes, nem que fosse pra saber do que andam falando. Ou ainda pior, ficavam lá no meio da platéia tricotando e falando alto como velhas comadres na sala do chá alheias ao mundo ao seu redor.

Mas nem tudo foi mediocridade, houve também expoentes com idéias mais contundentes e exemplos pautados na experiência característica dos que se aventuraram além dos livros e das universidades, daqueles que vivem as frustrações e desafios do mundo real. Com dizeres muitas vezes dissonantes do consenso geral e opiniões em diferentes graus de polêmica, não importam se foram a favor ou contra tendências e o coro da igreja. Foram estes que, em minha opinião, fizeram valer aqueles três dias de fórum.

Um dos destaques foi o Professor Roberto Guimarães, quem em sua breve apresentação atentou para o desenvolvimento da economia e da sociedade em uníssono como item fundamental – e pouco tocado – para a sustentabilidade, indo muito além da simples compensação de créditos de carbono; assim como da necessidade de metas e ações coordenadas e concretas para o estabelecimento de princípios sustentáveis que sejam firmados e seguidos pelos governos e corporações, dentre outros pontos.

Das considerações que ficaram sobre o fórum, acredito que ele seja um bom retrato do cenário atual da sustentabilidade como pauta de interesse. A própria postura dos palestrantes e falhas da organização talvez sejam um espelho da imaturidade do tema na sociedade como um todo. Há a noção de que aquilo é importante e a busca geral por conhecimento que norteie comportamentos e ações, porém há escassez de fontes sólidas de orientação. Como no bom exemplo dado pelo Professor William York, não basta que se coloque um cartazete em frente à máquina de Xerox na sala dos professores dizendo “recicle”, é preciso que toda a escola esteja inserida em um edifício e um contexto sustentável, de modo contrário, o discurso fica vago e inócuo.

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