3Bs e 1P (Belém, Palmas, Brasília e Belo Horizonte)

 
mapa-belem-palmas-bh2

Entre os dias 5 e 8 de março de 2009, percorri, a partir de Belém, o caminho de volta para Belo Horizonte, com uma diferença do percurso que fiz em janeiro: ao invés de seguir direto pela Belém-Brasília, fiz o desvio passando por Palmas/TO e cruzando a Chapada dos Veadeiros. Posso dizer, sem sombra de dúvidas, que este itinerário é bem melhor e mais agradável.
 

São aproximadamente 3.000km de estrada, atravessando 6 estados – Pará, Maranhão, Tocantins, Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais – e somando 3 dias de direção. O asfalto, no geral está muito deteriorado, especialmente no estado do Tocantins. Há longa data um vale da lua, indo por Estreito/MA até Araguaína/TO, de tão estragado, o asfalto (ou a falta dele) parece ter-se tornado a fonte de renda local, onde crianças e adultos preenchem as crateras com terra e ficam às margens da rodovia mendigando “pedágio” pelos seus serviços. Entre a divisa com o Maranhão e Palmas todo cuidado é pouco, a pavimentação praticamente desapareceu entre crateras capazes de quebrar caminhões com facilidade. Nos arredores de Palmas as pistas são terrivelmente projetadas, acumulando uma lâmina dágua que elimina o atrito dos pneus, fazendo o carro aquaplanar com facilidae. Já em MG, entre Patos de Minas e 3 Marias, o asfalto está deformado, apresentando sulcos e elevações que podem acabar com a suspensão de um carro e certamente fatais para motos, sendo que, muitas delas estão localizadas em curvas acentuadas. A boa notícia é que a buraqueira abissal e interminável entre Felixlândia e Pompéu recebeu uma operação tapa-buracos. Ficou parecendo uma colcha de retalhos, mas, ainda assim, melhorou 1000% se comparado com o que estava. Dali em diante há muito trânsito pesado, porem a duplicação está adiantada e o asfalto, na média, é razoável.

Depois de 4 anos morando em Belém do Pará, esta foi a minha mudança pra Minas. Nas malas muita bagagem, ótimos amigos, e muita saudade. Decidi trazer comigo o mínimo possível. Apenas o essencial. Mesmo assim me surpreendeu a quantidade de coisas que juntei nestes anos. Metade da mudança foram livros. A outra metade, uma bicicleta, a viraguinho, lembranças.

No plano inicial, a moto vinha a reboque ou na caçamba da caminhonete. Acabei ficando com a segunda opção, o que se mostrou uma idéia infeliz. Ela ficou bem firme e toda travada com esticadores e catracas. Só que muito fora do prumo e a custa de uma bruta esfolada no paralama dianteiro que fez dó. A pintura estava novinha… E tudo isso pra chegar à conclusão que erra muito chão pra uma insegurança maior ainda. Resultado: acabou vindo de transportadora mesmo. Me cobraram R$400,00 pra mandar de Belém a BH, levou 5 dias, chegou com a placa arrancada e também a antena cortapipas quebrada.
 
  

 


Vir separado da moto acabou sendo, sem sombra de dúvida, a melhor escolha. Peguei chuva direto, da saída até Brasília. Parecia até que era uma chuva só caindo de uma nuvem gigantesca que cobria todo o Brasil. Talvez por causa desse aguaceiro todo, vi mais bicho pelo caminho que de costume. Fora a profusão de atropelados, chamou a atenção as enormes aranhas caranguejeiras (dignas daquela do Guines) cruzando o asfalto. Ainda topei com tucanos, seriemas, gaviões, iguanas e um simpático jabuti. Este último, senti que ele não tinha muita chance e voltei pra atravessá-lo.

Deixei Belém pouco antes de o sol raiar. 1.066km depois, ao fim do primeiro dia, dormi em Guaraí/TO no Plaza Hotel. R$ 30,00 a pernoite em suíte com ar condicionado e televisão; café da manhã incluso; garagem; (63) 3464-5181. Mas fora este, a cidade está repleta de pousadas e hotéis às marginais da estrada que cruza a cidade ao meio.

Para chegar a Palmas, há a opção de desviar em Miranorte e atravessar o Tocantins de balsa, e seguir margeando o rio pelo outro lado. Já me disseram que a estrada é muito bonita e tranqüila. Esse era, inclusive, o meu plano, só que zarpei de Guaraí ainda de madrugada e ao passar por Miranorte o dia apenas dava sinais de clarear e garoava. Então, resolvi não arriscar e pegar o desvio em Paraíso do Tocantins mesmo. 

De Palmas até Brasília é talvez o trecho mais gostoso da estrada, passando por cidadezinhas bem agradáveis incrustadas na Chapada dos Veadeiros. Indo sem hora pra chegar, dá pra ficar vários dias por ali explorando lugarejos como Natividade, Alto Paraíso e Vila de São Jorge, curtindo a hospitalidade, as paisagens e cachoeiras. 

Uma pernoite em Brasília e dali pra BH, sendo apenas mais 700km pra rodar, é um pulo. Esse trecho, aliás, foi o único onde o sol resolveu dar o ar da graça.

Com o carro (uma Strada Adventure 2005) em meia carga, o consumo aumentou em torno de 15 a 20%, ficando entre 7,5 e 8,5 km/l. Na relação entre gasolina e álcool, continuo preferindo este último, uma vez que a gasolina custa, em média, 40% a mais com um rendimento apenas 20% superior. Ou seja, no final das contas, o álcool ainda fica com aproximadamente 20% a mais de vantagem.
 
 
 
 

 

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